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domingo, 12 de maio de 2024

A MÃE DA MÃE









Um texto bastante reflexivo que não poderia deixar de ser transcrito aqui.

Quem é a mãe da mãe ? 

É a avó materna que tem mais proximidade com a filha do que a avó paterna , no caso a sogra .

Nada contra as sogras , mas na nossa cultura é óbvio que é assim que acontece : A avó materna, digo , mãe da mãe acompanha cada passo da gestação da filhota . E quando o bebê nasce     é ela que estará ali do lado acompanhando o puerpério da filha , ajudando na posição da mamadas , banhos , curativo de umbigo e etc...
 A mãe da mãe tem as portas abertas , a filha precisa de sua presença ali a seu lado. .

E a mãe do pai , a avó paterna que talvez não tenha participado tão proximamennte da gestação da nora . Mas também teve a mesma ansiedade , a mesma preocupação . Afinal o seu "antes menino " vai ser papai . 

Ela é mãe , tão mãe quanto a mãe da mãe e quer se aproximar do novo bebê que acbaba de chegar e enriquecer a familia . A mãe do pai não vai estar lá ajeitando almofadas para amamenação como a mãe da mãe . Mas ela também precisa que lhe dêem espaço para exercer seu papel de avó.

Conheço  casos em que sogras são "verdadeiras mães " para suas noras .
Que bom se fosse sempre assim.
Os netos preciisam de muito amor , seja da mãe da mãe ou da mãe do pai.






Enquanto os olhos do mundo estão no bebê que acaba de nascer, a mãe da mãe enxerga a filha, recém-parida. O papel de avó pode esperar, pois é a sua menina que chora, com os seios a vazar.

A mãe da mãe esfrega roupinhas manchadas de cocô, varre o chão, garante o almoço. Compra pijamas de botão, lava lençóis sujos de leite e sangue. Ela sabe como é duro se tornar mãe.

No silêncio da madrugada, pensa na filha, acordada. Quantas vezes será que foi? Aguentará a manhã com um sorriso? Leva canjica quentinha e seu bolo favorito.

Atarefada, a mãe da mãe sofre em silêncio. Em cada escolha da filha, relembra suas próprias. Diante de nova mãe, novo bebê, muito leite e tanto colo, questiona tudo o que fez, tempos atrás. Tempo que não volta mais. 


Se hoje é o que se tem, então hoje é o que é. Olha nos olhos, traz pão e café. Esse é o colo, esse é o leite. Aqui e agora, presente.

A mãe da mãe ajuda a filha a voar. Cuida de tudo o que está às mãos para que ela se reconstrua, descubra sua nova identidade. Ela agora é mãe, mas será sempre filha.

Toda mãe recém-nascida precisa dos cuidados de outra mulher que entenda o quanto esse momento é frágil. A mãe da mãe pode ser uma irmã, sogra, amiga, doula, vizinha, tia, avó, cunhada, conhecida. O fato é que o puerpério necessita de união feminina, dessa compreensão que só outra mãe consegue ter. 

O pai é um cuidador fundamental, comanda a casa e se desdobra entre mãe e filho, mas é preciso lembrar que ele também acaba de se tornar pai, ainda que pela segunda ou terceira vez.

Marcela Feriani